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Pr Darcy

 

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         IBVM como carinhosamente nos chamamos

 



É!...a copa acabou! Nossa seleção foi derrotada pela Holanda e isso determinou a eliminação do Brasil e o retorno dos jogadores, pelo menos a maioria deles, para o nosso país sem o cobiçado caneco. Que tristeza! Em momentos como esse, é esperado buscar compensações. E elas não demoraram muito a chegar. Para ser bem preciso, bastaram apenas 24h para a torcida verde-amarelo experimentar um consolo. Perdoem-me a economia: um GIGANTESCO consolo: a eliminação do nosso arqui-rival sul-americano – a seleção argentina (com Maradona, Messi e companhia). Eu sei... alegrar-se com a desgraça alheia não é algo que se deva elogiar, mas não podemos negar que foi exatamente esse sentimento que ocupou o coração brasileiro quando a partida Alemanha x Argentina acabou. Da mesma forma, é preciso admitir que a arrogância não disfarçada do treinador daquela seleção e o pouco caso que ele fazia dos seus adversários serviu de alimento para a justiça própria dos torcedores rivais. Daí, quando os argentinos caíram, os brasileiros se sentiram de alma lavada, pois a justiça foi feita: os arrogantes não alcançaram a vitória...e é exatamente assim que tem que ser – pensam os "humildes", no caso, brasileiros e quaisquer outros que tenham torcido contra a Argentina.

Interessante é que humildade foi justamente algo que faltou aqui no Brasil, pensando especificamente no cenário da chegada dos nossos jogadores. À exceção de Dunga, que foi recebido, sim, tímida, mas cordialmente, os atletas foram recepcionados como vilões odiosos, responsáveis por uma terrível tragédia nacional. Depois do sonho de uma vida inteira ter escoado em 45 minutos, os jogadores arrasados emocionalmente voltam para casa e, quando pisam em solo brasileiro após exaustivas horas de viagem, ao invés de receberem apoio por parte dos seus compatriotas, são recebidos por um batalhão de repórteres querendo explicação para o ocorrido, empurra-empurra e xingamentos por parte de uma pequena, mas enfurecida torcida. Se você fosse um dos jogadores, ficaria contente? Sua dor seria diminuída? Você aplaudiria essa "calorosa" recepção?

Pois é, aplauso é o que merece a torcida argentina. Seu time levou um "chocolate" e, mesmo assim, foi recebido como campeão. Uma multidão de argentinos abraçou o ônibus em que estavam os atletas e o que se via eram manifestações de apoio pela campanha daquela seleção. Que diferença, hein? E o que a determinou? Creio que gratidão...gratidão pelo que se já tem: uma boa seleção.

Eu sei, eu sei...é só futebol; mas, que esse episódio é muito ilustrativo, ah!, não há a menor dúvida. Sim, porque temos duas reações diferentes para uma mesma situação: uma boa e outra reprovável. E aí, não há como não fazer conexões com a nosso dia-a-dia e verificar porque alguns crentes reagem bem e outros tão mal em face de uma mesma circunstância. Em termos gerais, o que acontece com o segundo grupo é muito bem resumido no texto de 1Jo 2.16:

1. Cobiça da carne: vida governada pelo desejo e pelas conveniências do prazer. Neste caso, a pureza e a moderação são substituídas pela carnalidade e violência;

2. Cobiça dos olhos: vida dominada pelo material e focada em ter mais do que o bastante. Aqui, a simplicidade e gratidão são sufocadas pela inveja e insatisfação;

3. Ostentação dos bens: vida centrada na auto-suficiência, arrogância e desejo de ser servido; o caráter e a humildade são postos de lado para dar lugar à insubordinação e à postura de superioridade em relação aos outros;

Quando o amor a Deus é empalidecido pelo amor ao mundo (evidenciado no culto ao "Eu"), o que virá dos crentes quando seus desejos não forem atendidos será sempre auto-comiseração, reclamação e ataque aos outros como estratégia de defesa da sua própria corrupção. Isso tudo porque amam mais o que desejam receber do que Àquele que já deu tudo de que necessitam para a vida e piedade. Estão desesperados pelo que ainda não têm, quando deveriam ser gratos pelo que já receberam.

Às vezes, agimos tal qual a torcida que recebeu a seleção brasileira: enfurecida com os jogadores por não terem trazido o título que ainda não temos, por não terem carimbado mais uma estrela no peito que ainda falta, por não terem garantido uma hegemonia futebolística ainda não alcançada. Perceberam? Toda uma animosidade por causa daquilo que ainda não se realizou. É por isso que a postura dos torcedores argentinos em relação a seus jogadores foi exemplar e digna de ser imitada. Confesso, elogiar aquela torcida é para mim (torcedor apaixonado pela seleção brasileira) como tirar água da pedra. Por isso, é melhor para por aqui. Deus abençoe a todos...inclusive aos argentinos.  

Pr. Abner Fortes

Versículo do Dia